08 maio 2006

Os encantos do capitalismo...

Segundo a revista Forbes a fortuna do presidente cubano encontra-se avaliada em cerca de 700 milhões de dólares.
Quando for grande quero ser comunista como Fidel.


NAP

16 Comments:

At 10 maio, 2006 14:14, Anonymous Anónimo said...

Este texto é de uma leviandade absolutamente extraordinária e apenas pode revelar um tremendo complexo anti-comunista ou anti-Fidel.
Em primeiro lugar, urge ressalvar que o senhor NAP baseia-se numa especulação derivada de uma revista tendenciosa e que não revela qualquer tipo de preocupação em salvaguardar um jornalismo sério e descomprometido.
Contudo, lança para a praça pública uma "parangona" abusiva desprovida de comprovativo e contraditório.
Quiçá seja este o tipo de "jornalismo" que vossa excelência aprecia...
Em segundo lugar, considero preocupante o facto de um futuro jurista levar a cabo um comentário tão sectário baseado numa suposição (lembre-se que o seu texto inicia-se da seguinte forma:"segundo a revista...").Torna-se óbvio que o seu objectivo consiste,unicamente, em lançar uma mancha negra sobre a figura referida com o intuito de lograr aplausos populistas (algo que está na senda dos seus textos).
Em terceiro lugar, a mesma ignorância que vossa excelência demonstrou no âmbito da discussão sobre o conflito Israelo-Palestiniano, perpetua-se neste texto quando se diz que "quando for grande quero ser comunista como o Fidel".Aconselho-o vivamente, senhor NAP, a que, quando for grande (de espírito) deseje ser um lutador contra a opressão colonialista tal como Fidel o foi durante os anos em que pugnou e resistiu na montanha contra o fantoche "americanista" Baptista.Que seja capaz de bater o pé contra um poder avassalador enquanto outros se colocam de joelhos.Que ouse acreditar num ideal pelo qual esteja disposto a sacrificar a sua vida (será pedir de mais a vossa excelência, certamente...)
Sem esquecer, obviamente, uma abordagem sobre o marxismo, socialismo e comunismo para que não caia na tentação de confundir eventuais abusos por parte daqueles que logram aplicar um sistema baseado nesta filosofia.
O senhor NAP é incapaz de compreender que o mundo não se resume a uma cartilha fast food do género "voto=democracia=liberdade (desprovida de direitos)".Não olvide, que o sistema capitalista é o principal carrasco de milhões de seres humanos que, actualmente, sobrevivem com menos de 1 euro por dia, com o objectivo de servirem, unicamente, de factores de produção no seio da lógica da sociedade de mercado, na qual tudo tem um preço e é passível de ser negociado.
Será que a fortuna da família Bush não merece um comentário prescrutador da sua legitimidade tendo em consideração que esta advém, essencialmente, da indústria petrolífera que gera e legitima governos opressivos (Arábia Saudita, Nigéria...).Já sei, senhor NAP! Os Eua e os seus vassalos ocidentais são democracias legitimadas pelos votos (com a abstenção de 60 a 70% dos eleitores) e isso, só por si, branqueia tudo.
Cuba é uma nação de gente comum que se encontra perante uma situação de excepção: um bloqueio por parte da maior potência mundial!Tal facto, exige medidas que impeçam que a moral de todo um povo seja subvertida e subjugada pelo jogo sujo que advém de grupos de pressão tais como a revista Forbes.Julgará que esta reportagem é inocente tal como você?
Pergunto-lhe, senhor NAP, se porventura o seu país lhe faculta educação e saúde de extrema qualidade (reconhecidos e procurados universalmente) e de livre acesso em condições de igualdade gratuitamente...Que tipo de Democracias atiram milhões de indivíduos para empregos precários, listas de espera, e colocam de parte, à partida, todos aqueles que não disponham de recursos para aceder a uma educação de pleno direito? É essa a democracia tão almejada e apregoada por si? Certamente que não me resigno a essa visão minimalista do mundo.
A liberdade, valor supremo de qulquer ser humano digno, deve ser o escopo de qualquer regime ou sistema político. Esta, não se resume a uma simples cruz desenhada num pedaço de papel de 4 em 4 anos.Deve ser procurada no sorriso de cada homem e mulher, na dignidade com a qual estes vivem apesar de não lograrem os luxos fantasiosos com os quais você se contenta (ou ainda considera que no seu país a liberdade é o valor que faz mover a "locomotiva"?).
Entretanto, contente-se com a fantasia da bola num estádio perto de si, do género daqueles que não existem em Cuba de Fidel, mas não se esqueça de levar cartão multibanco quando desejar aceder a um serviço de urgência de uma clínica privada, quando se deparar com uma lista de espera de 8 horas num hospital público, e de pagar as propinas da sua faculdade de um país no qual 70% da população não logra concluir, sequer, o ensino secundário...

p.s.já sei que, em resposta ao meu texto, se seguirão os comentários dos restantes administradores deste blog, os quais lhe baterão palmas e dirão que você é que tem razão, etc...
Sempre que alguém ousa crtitica-los ou apresentar uma visão oposta é isso que sucede.Fazem-me recordar aquele grupo de indivíduos que se consideram os supra sumos e passam o tempo a dizer: "tu és mesmo bom!"..."Não, tu é que és!"..."enfim,nós somos mesmo bons!"

Com os melhores cumprimentos,

AFG

 
At 10 maio, 2006 18:25, Anonymous Olivia Santos said...

Só uma pergunta, caro AFG:
Por que é que os cubanos querem tanto deixar um país com tão boas condições?

 
At 10 maio, 2006 21:28, Anonymous Anónimo said...

Caro AFG:

Quanto aos eventuais comentários que terceiros realizem acerca do meu post ou do seu comentário são da responsabilidade de quem os faz. Não faço baixo assinados de auto - apoio nem ando, qual censor, de lápis em riste a rasurar o que me é contraditório. Respondo por mim, escrevo por mim.
Os comentários de AFG, aliás na senda de anteriores discussões, começa a deixar entrever um certo acinte contra o que escrevo (ou contra mim?) que sinceramente não compreendo e que na maioria das vezes, tal como já repeti incessantemente em outras ocasiões, faz extrapolações erróneas ou juízos falaciosos para depois contra argumentar. Contra argumentação que mais não é, como diz o povo, do que “atirar os foguetes e apanhar as canas”.
Denoto que AFG não se dá lá muito bem com as ironias. Tal como nos post anterior, ou não consegue discernir um comentário irónico ou então estamos perante um caso de pura má fé. Dou-lhe o benefício da dúvida e presumo que se trate da primeira hipótese – o que me leva a concluir que ler os finos ditos de espírito e as construções irónicas de Eça devia ser um tormento, mas adiante…
Os insultos e vitupérios da praxe (“ignorância”, “quando for grande de espírito”…) repetem-se. Não vou responder insultando, obviamente. Mas contradito. Não deixa de ser curiosa a concepção de ignorância que o meu caro tem. Ignorante no seu léxico significa todo aquele que diverge de si ou não percepciona o mundo da mesma maneira. Uma coisa é certa, espero, mas espero mesmo (e agora sem ironia) nunca ser “grande como Fidel”. Nunca almejei ser um ditador, nem é agora que vou começar a ter esse tipo de ambições.
Diga-me, acha mesmo que um mero escriba anódino de um dos milhares de milhões de blogs espalhados pelo mundo, ainda por cima num escrito de teor claramente irónico consegue “lançar uma mancha negra” sobre um Ditador? As minhas pretensões são muito mais modestas… e além disso duvido que ele precise da minha ajuda para isso, afinal de contas estamos a falar de um ditador.
O entendimento que tenho de democracia em nada coincide com o regime cubano. Desde logo porque se trata de uma contradição nos termos. Um regime político não pode ser simultaneamente uma democracia e uma ditadura. Ou é uma coisa ou é outra. Considerar o regime cubano como uma democracia é uma idiotia, e mais, uma ofensa à tradição democrática que felizmente vigora na maior parte dos países ocidentais. Em Cuba existe liberdade de expressão? Em Cuba há liberdade de imprensa? Em Cuba os trabalhadores podem manifestarem-se contra medidas de Fidel livremente na rua? Em Cuba há separação dos poderes? Em Cuba há liberdade para formar partidos? Em Cuba há eleições livres? Em Cuba há uma magistratura independente e livre? Em Cuba há livre associação? Em Cuba há verdadeira iniciativa privada? Fidel é um Ditador que coarcta as liberdades e os direitos básicos das pessoas. Leia Reinaldo Arenas, fale com algum cubano exilado e pergunte-lhe pelas maravilhas da revolução cubana. Se quiser apresento-lhe uma cubana (agora julgo que já naturalizada portuguesa dado que casou com um português) que lhe pode contar na primeira pessoa o primor que é o respeito pelos direitos fundamentais em Cuba. Julga, porventura, que não há assassinatos políticos? Que não abundam presos políticos, injustamente presos, sem direito a julgamento justo, que nunca o serão em virtude da não existência de uma magistratura independente e livre?
Prefiro mil vezes uma democracia, como a nossa, que não obstante a sua juventude e imperfeição, mas em que são respeitados os direitos mais básicos do indivíduo e em que existe a livre iniciativa privada do que um regime ditatorial (quer seja fascista ou comunista) castrador da dignidade das pessoas. É triste ver alguém que nasceu num país que até há bem poucas décadas ainda vivia sob regime ditatorial, e que em boa hora se livrou de uma outra ditadura (com o 25 de Novembro), tecer loas a um regime igualmente ditatorial. Pergunto-me se ainda não tivesse caído o Muro de Berlim o veria a si a fazer a panegírica do Grande Regime Soviético.
Os sistemas capitalistas triunfaram no mundo. É um facto, e porquê? Porque, a despeito das suas inúmeras injustiças e imperfeições continuam a ser aqueles em que a liberdade individual mais é respeitada e em que através do mérito próprio, do trabalho e esforço alguém logra construir a sua vida pessoal e patrimonial sem estar dependente do Estado. È claro que existem milhões de desempregados. Mas também é por isso que eu não sou liberal e defendo a existência de um estado social que preveja mecanismos de auxílio ao indivíduo nas situações de doença, desemprego ou invalidez. O contrário seria entregar ao Estado a tarefa de grande Pai, de tudo planear, cuidar, prestar ao indivíduo. No fundo de lhe retirar autonomia privada, capacidade de decidir a forma como pretende construir a sua vida e como atingir os seus objectivos. Mas jamais abrirei mão, pelo menos na concepção que tenho de regime democrático, de princípios tão fundamentais como o são o primado do Estado de Direito, eleições livres, liberdade individual. Tudo isto não existe em Cuba.
Saúde e educação gratuitas não resgatam da condenação inelutável um regime ditatorial. Eu estudo no Ensino Superior, e por tal pago propinas. E ainda bem. Os meus pais têm possibilidades para sustentar esta despesa (que considero um investimento), e por tal julgo que é justo pagarem um preço que nem de perto se assemelha ao que representaria o custo real e efectivo da frequência de um curso superior. Mas também sei que no meu país existem muito mecanismos, nomeadamente através da concessão de bolsas públicas e privadas, que possibilitam aos estudantes que pretendam frequentar um curso superior e não tenha meios económicos de efectivamente o fazerem.

“A liberdade, valor supremo de qulquer ser humano digno, deve ser o escopo de qualquer regime ou sistema político. Esta, não se resume a uma simples cruz desenhada num pedaço de papel de 4 em 4 anos.”

É este o entendimento que tem de democracia? Um pedaço de papel e uma cruz de quatro em quatro anos? Então e a possibilidade de participação cívica? E a possibilidade de ser eleito para órgão políticos locais? E então a possibilidade de poder actuar judicialmente contra o Estado quando este lesa os seus interesses legítimos? Então e a possibilidade de constituir uma associação e apresentar à Assembleia da República propostas de elaboração de normas legais? E a possibilidade de se dirigir ao Provedor de Justiça? Então e os referendos? E as manifestações? E a eleição do PR? Se a democracia fosse apenas o acto de votar, então já há muito que estas tinham perecido!


“Deve ser procurada no sorriso de cada homem e mulher, na dignidade com a qual estes vivem apesar de não lograrem os luxos fantasiosos com os quais você se contenta…”

É essa intrínseca dignidade da pessoa humana que é respeitada numa ditadura como a cubana? E a propósito o que sabe AFG dos supostos “luxos fantasiosos” da minha pessoa? Não me conhece, não sabe quem sou nem o que penso e muito menos não lhe admito suposições acerca dos meus putativos contentamentos materiais ou espirituais baseados num post de teor humorístico.
Só uma nota final em relação ao seu P.S. Nunca me viu, e desafio-o a encontrar um comentário laudatório meu, repito meu, em relação a algum post de um colega de blog. A sua pressa em atribuir-me comentários que não são meus, relativamente à minha suposta falta de respeito pelo contraditório, já o levou a equivocar-se recentemente em relação a um comentário que me imputou e que havia sido proferido por Olívia Santos. Também não ficava mal retratar-se. Mais uma vez repito: nunca censurei nada neste blog; nunca retirei um comentário crítico, nem sei como se faz, nem tenciono aprender.
Agradeço-lhe a leitura do post e o seu comentário. Da minha parte por aqui me fico.

Respeitosamente:

NAP

 
At 10 maio, 2006 22:38, Blogger Nós por cá said...

Meus caros,

Há um bom par de anos alguém, que me era muito próximo e já de provecta idade, sentenciou:

"Se precisares de um argumento que sustente a tua crença pugna para que seja curto, simples e directo!"

Canso-me de ler textos que mais não são do que o repositório de ideias daqueles que não se conseguem fazer ouvir.
O recorte fino do humor exige inteligência.
E como ela é escassa...

 
At 11 maio, 2006 11:06, Anonymous Anónimo said...

Senhor AFG:

Em primeiro lugar, quero começar por elucidá-lo que não tenho qualquer ligação à administração deste blog, o que espero que sirva para despertar a sua mente para o facto de que existem outras pessoas que o visitam, lêem os seus posts e comentários e, também comentam!

Em segundo lugar, o senhor começa por referir que o redactor do post que comentou revela um “tremendo complexo anti-comunista ou anti-Fidel”, pois eu direi que o senhor revela uma profunda e intensa admiração por esta personalidade que, infelizmente, é o rosto de um regime ditatorial e, nessa medida, o culpado por muitos seres humanos não poderem usufruir de um direito indiscutível: a liberdade. E é essa liberdade que o senhor caracteriza no mesmo comentário como um “valor supremo de qualquer ser humano digno, […] o escopo de qualquer regime ou sistema político”. Não será isto uma tremenda falta de coerência da sua parte?!

Por outro lado, é verdade o que o senhor refere sobre o desenvolvimento do sistema educativo e do sistema de saúde de Cuba. Contudo, deixe-me elucidá-lo que este desenvolvimento tem por base uma desmedida pressão (se não mesmo opressão!) do poder central sobre todos os investigadores, com vista a voltar as suas investigações e pesquisas para aquilo que interessa ao poder central (mostrar-se auto-suficiente perante o resto do mundo). Mais uma vez, o regime, por si severamente defendido, impede a liberdade de escolha, de investigação, de expressão, …
Por fim, perante tudo isto, acha que Fidel é ainda um lutador? Os cubanos, se calhar, serão lutadores por terem que viver num país onde não são tidos nem achados, onde não têm liberdade para tomar decisões fundamentais para a sua existência (como se querem viver nesse grande país que é Cuba!).

Com os melhores cumprimentos,

VMV.

P. S. Custa-me a crer que a revista que o senhor alega ser “tendenciosa” seja uma revista que apresentaria, a milhares de leitores esta notícia, sem ter forma de o provar! Todavia, não sei se reparou mais quem escreveu o post começou o texto por "segundo a revista..." porque ninguém, por mais iluminado que fosse, escreveria um post com tal informação sem ter por base uma referência lida, num qualquer jornal ou revista, ou ouvida, num rádio, numa televisão.
Se acha que esta revista apresenta uma informação “abusiva, desprovida de comprovativo e contraditória”, então peça esclarecimentos ao editor!
Quanto ao tipo de jornalismo que cada um aprecia, este não lhe deve dizer respeito e nada garante que aquele que o senhor admira é o mais fidedigno, “sério e descomprometido”.

 
At 11 maio, 2006 14:44, Anonymous Anónimo said...

Cara Olívia Santos, a resposta à sua questão é muito simples: da mesma forma que milhares de portuguesese continuam a "fugir" à miséria e à precariedade reinante num país, dito do primeiro mundo, chamado Portugal, membro de pleno direito de uma da maiores potências económicas mundiais.Da mesma forma que milhares de portugueses se entregam a redes clandestinas de tráfico de trabalhadores...
E imagine: Não vivemos sob a alçada do maior bloqueio económico jamais perpetrado durante os últimos 50 anos!
P.S. Este mesmo bloqueio já foi condenado pela comunidade internacional e é o causador directo de grande parte da miséria reinante em solo cubano (Amnistia Internacional e Human Rights Watch).

 
At 11 maio, 2006 15:42, Anonymous Olivia Santos said...

Com certeza, caro AFG, mas aos portugueses não os vê a fugirem clandestinamente nem a serem impedidos de se deslocarem do seu próprio país.

E já agora, acha mesmo que um bom sistema de ensino e de saúde garantem de algum modo a individualidade e a liberdade de cada um?
A mim assustar-me a ideia de viver num país onde posso tratar da minha saúde com todas as facilidades mas da qual não poderei depois usufruir se pensar diferente do homem que lidera o meu país.
De que servem a saúde e a formação se não me é permitida a individualidade, a escolha?

A democracia é um sistema com falhas, é certo, mas pelo menos posso dizer, por exemplo, que não gosto do nosso primeiro ministro e ninguém me vai mandar prender por isso.
Queria mesmo viver em Cuba? Defende realmente um sistema ditatorial?

 
At 12 maio, 2006 12:39, Anonymous Anónimo said...

Caro AFG,
aconselho-o a apurar o seu sentido de humor...aproveitou um post de certa forma humorístico para fazer uma longa crítica pessoal a uma pessoa que nem sequer conhece...

P.S não faço parte da administração do blog :)))

 
At 12 maio, 2006 15:18, Anonymous Anónimo said...

Tou farto destes comunistas… estão cada vez mais burros

 
At 12 maio, 2006 15:20, Anonymous Anónimo said...

NAP és fantástico… prometo que em breve voltarei a escrever….

slotmachine

 
At 13 maio, 2006 13:00, Anonymous Anónimo said...

Em jeito de direito de resposta, dirijo-me ao senhor NAP tendo como objectivo reafirmar a minha opinião relativamente ao facto de trazer no seu âmago posições preconceituosas que pululam na senda do seu intrínseco desconhecimento acerca dos assuntos sobre os quais opina.
Esta linha de posicionamento enquadra-se no mesmo âmbito acerca do conflito Israelo Palestiniano, acerca do qual o meu caro interlocutor proferiu uma série de observações que demonstravam um profundo desconhecimento sobre a génese do referido conflito (lembre-se do facto de ter aglomerado no mesmo patamar Palestina, Al Qaeda, Irão, 11 de Setembro, entre outros. Faço votos para que tenha logrado sair do obscurantismo néscio ao qual se votou aquando da abordagem de um tema sobre o qual nem sequer possui uma pequena “luz”. Em “Ensaio sobre a cegueira pode ler-se:” se podes olhar vê, se podes ver repara”. Relativamente à acusação proferida contra mim segundo a qual lhe lancei uma série de insultos e vitupérios, resta-me esclarece-lo que quando alguém é catalogado de ignorante deve-se ao facto de patentear desconhecimento sobre um determinado tema. Ora, vossa excelência enquadra-se nesta figura com a agravante de tecer juízos de valor sobre causas que ignora ou tem um entendimento toldado pelo provincianismo intelectual. Jamais denomino alguém de ignorante de forma gratuita, todavia baseio-me nas lacunas intelectuais dos meus interlocutores, tendo como preocupação elucida-lo sobre os factos históricos reais.
No que respeita à ironia, devo dizer-lhe que se me apresenta como uma das maiores figuras do intelecto humano, todavia, não a considero de nível quando traz na sua índole o preconceito contra um povo (“Nós, aqui não gostamos de pacifistas”) ou sobre uma determinada figura (Fidel Castro).
Permita-me fazer um comentário à parte já que me parece que, no que releva a ironias, o senhor NAP se julga um Eça…
O que o leva a concluir que as suas “ironias” se comparam, ou vêm sequer, na senda da obra de Queiroz?
Porém, e como já lhe referira no passado, vossa excelência profere posições salvaguardando-se no subterfúgio da ironia, não assumindo frontalmente as suas convicções, fazendo-o apenas quando desafiado para tal.
Recordo, que na esteira da sua “opinião” sobre o conflito Israelo-árabe, aludiu à necessidade dos dois povos encontrarem o caminho da paz de braço dado, para em seguida tecer uma série de chorrilhos preconceituosos sobre a resistência palestiniana.
Mais, ler “os finos ditos de espírito e as construções irónicas” de Eça não “devia ser um tormento”…
Segundo este “devia” presumo que vossa excelência é daqueles que se limitou a ler os clássicos durante o secundário, por imposição de calendário.
Não me tente passar nenhum atestado de incompetência já que tenho uma bagagem literária bem preenchida mas não faço uso desta como uma arma de arremesso ou motivo de vaidade.
Abordando o tema que nos trouxe à liça.
Mais uma vez, o senhor NAP demonstra que prefere abordar os assuntos pela rama, desprovidos de “background” cognitivo, patenteando, desta forma, uma ligeireza atroz.
Aquando da luta contra o regime fantoche de Baptista, durante o qual Cuba se apresentava como um antro de prostituição, álcool, jogo e outros interesses venais, os EUA serviam-se deste pedaço de terra com se de um casino ou bordel se tratasse, catalogando todo um povo com uma identidade própria e deveras peculiar como um indigente.
A revolução cubana, apoiada esmagadoramente pelo povo , o qual estava desprovido dos bens e necessidades mais prementes enquanto uma pequena oligarquia se banqueteava, triunfou após anos de luta e sofrimento, tendo por moto a implantação de um sistema SOCIALISTA. E é a partir daqui que o senhor NAP e a prezada Olívia Santos começam por patentear total desconhecimento sobre a filosofia marxista, sobre o socialismo e comunismo (sem qualquer intuito insultuoso, refira-se!).
O socialismo e o comunismo assemelham-se ao organismo humano nos diversos estádios do seu desenvolvimento apesar de se apresentarem como uma só formação científica e social. O segundo é a fase adulta do primeiro mas não sucede naturalmente ou por inerência. Os bens de consumo são distribuídos em função da contribuição de cada um, segundo a qualidade e a qualidade do seu trabalho, consoante o princípio “trabalho igual, salário igual”, independentemente do sexo, nacionalidade, etc. Já o mesmo não se pode dizer sobre o capitalismo, no qual milhões de indivíduos são lançados no esquecimento sem qualquer tipo de protecção (ex.: EUA). No sistema socialista persiste uma certa desigualdade social e económica: classe operária, camponesa e intelectual, ao contrário do sistema comunista no qual o escopo consiste na abolição do estado e das classes. No primeiro, o estado desempenha um papel fundamental no que respeita à harmonização social. O estado socialista conserva no seu âmago os desejos individuais tais como a avareza, o egoísmo e o desejo de viver à custa de outrem, e como tal, urge que se leve a cabo uma enorme sensibilização visando a amenização destes interesses. No segundo, tudo isto desaparece e os indivíduos viverão num sistema harmonioso e livre…Porventura, esta é a maior fraqueza do sistema: pensar que tal é possível quando do outro lado nos oferecem a ilusão, mesmo sabendo que dificilmente será palpável. Estaremos a apelar a algo impossível, a perfeição homem…Todavia, o cristianismo também o faz, e não é catalogado de “sonho irrealizável”.
Feita esta pequena introdução e correndo o risco de ser demasiado linear, percebe-se qual seria o objectivo da revolução Cubana, a qual se apresenta como um processo constante. Todavia, este processo foi travado ou abrandado pelo bloqueio execrável levado a cabo contra os ditames do direito internacional, baseado pura e simplesmente num “gap” ideológico.
Obviamente que o império não aceitaria que alguém, nas suas costas, ousasse sair da linha tal como o povo cubano o fez. Aturdido pelo facto de não ter logrado colocar de joelhos uma pequena nação de 10 milhões, mesmo recorrendo a artimanhas e subterfúgios degradantes (Baia dos porcos), optou-se por coarctar o livre desenvolvimento de um sistema cujo único pecado seria o de ser diferente. Mas afinal, quem tem medo de quem? Teriam receio do eventual sucesso de um sistema socialista mesmo nas suas “barbas”? Possivelmente seguiram a mesma linha de raciocínio do senhor NAP e da cara Olívia, segundo o qual tudo o que não seja o sistema democrático do estilo ocidental é mau! Tudo o que não seja democracia “made in ocidente” é pejorativo. Tudo o que não siga o nosso modo de vida vai ao arrepio da liberdade.
Vossas excelências cometem um erro de primário, reduzindo a liberdade (objectivo fundamental de um sistema socialista e não só democrata) à democracia. Ou seja, desmembram este valor supremo conotando-o como um sinónimo por inerência de um sistema que (entre outros) visa a sua persecução. Consideram a democracia o supra sumo do intelecto humano não logrando imaginar ou supor, sequer, que milhões de seres humanos vivem sob a égide dos mais variados sistemas (veja-se o caso das comunidades indígenas africanas, do pacífico ou da América do sul) estes povos jamais ouviram falar em democracia, todavia, não implica que vivam sob o jugo de uma ditadura. Pelo contrário! Se isto não é ser limitado… (já sei que vai considerar isto como um insulto, mas acredite que se trata de uma simples constatação).
A revolução não pretende, caro NAP, transformar cuba numa democracia, mas sim num estado socialista, o qual tem no seu âmago, como escopo, (repito as vezes que você necessitar até perceber!) a liberdade em harmonia com todos os homens e mulheres, desprovidos de sentimentos egocêntricos. Por essa razão, vossa excelência tem razão quando afirma “o entendimento que tenho de democracia em nada coincide como o regime cubano”, e com razão, mas por motivos diferentes, meu caro!
Conotar Fidel como um ditador é extremamente simples…Qualquer “simplório” néscio seria capaz de faze-lo já que a visão destes não vai para além da linha do horizonte. Contudo, para um estudante de Direito… Bem, avancemos!
Fidel é um líder de um processo revolucionário que foi abraçado por todo um povo e que se confrontou, desde cedo, com um poder absolutamente avassalador, perante o qual outros claudicaram (tal como Portugal o faz quando confrontado com as exigências belicistas e hegemónicas dos EUA). E é neste ponto que reside a diferença entre aqueles que resistem e aqueles que desaparecem sem rasto. Esta é a diferença entre aqueles que ousam e os que temem… Enfim, esta é a diferença entre a minha posição e a sua. Já lhe disse, e volto a fazê-lo, que é da sua massa que se fazem os derrotados, e todos os que esperam na segunda fila enquanto outros lutam na linha da frente.
É deveras tentador aparecer na foto final lado a lado com os vencedores, porém, a verdadeira glória reside na luta! Eu sei que você não percebe o que tal significa…
Claro que é uma idiotice considerar Cuba como um sistema democrático! Apenas quem desconhece o que significa uma revolução socialista e o seu escopo pode considerar o contrário. Mas caro NAP, a liberdade não se resume à democracia nem desta depende, necessariamente!
Considere as diversas tentativas de ocidentalizar democraticamente nações que não partilham a mesma índole filosófica: Iraque, China (segundo a qual alguns especialistas referem que o seu processo revolucionário em curso caminha em prol de um centralismo democrático) ou mesmo a Índia que aos olhos de um europeu não é reconhecível. Sei que, segundo a sua concepção linear do mundo, na China não existe representatividade democrática ao estilo europeu… É óbvio que não! Mas quem conhece, minimamente o evoluir histórico do antigo império do meio, sabe que a aplicação do bom velho paradigma self-service do sistema ocidental é inviável.
Mas saberá, por certo, que existe uma assembleia popular e que esta nação vive um dos maiores processos revolucionários em curso (espero que saiba!).
Voltando a cuba, é claro que não existe iniciativa privada, já que esta vai ao arrepio do socialismo.
É óbvio que não existe diversidade partidária, contudo, esta é uma característica de um sistema como o democrata e não como o socialista. Segundo este, a liberdade será alcançada por outras vias.
Se existe livre associação? Existe um desígnio de entreajuda social entre os indivíduos.
Em cuba existe liberdade de expressão? Torna-se óbvio que o senhor não conhece, de todo, a extraordinária cultura cubana, sem paralelo em todo o mundo e que vai desde a criação artística passando pela música e pelos seus poetas e escritores (ou não será isto um exemplo de liberdade de expressão? Apenas os cartoons o são?).
O meu caro NAP limita-se a enumerar as características de um sistema que não existe em cuba e conclui que nesse caso estamos perante uma ditadura! Como poderíamos almejar que cuba tivesse as características de uma democracia quando o objectivo é lograr um estado socialista?
Deseja apresentar-me um exilado cubano? Permita-me que lhe apresente dezenas de cubanos que viajam pelo mundo, tendo a oportunidade de desertar, e não o fazem. Permita-me que lhe apresente o orgulho com o qual estes cubanos falam sobre a sua pátria (ao contrário de muitos portugueses cujo principal objectivo consiste em não voltar...).
Permita-me apresentar-lhe o único prémio Nobel da literatura portuguesa que se auto exilou devido ao facto de ter sido perseguido e vilipendiado intelectualmente quando escreveu uma das maiores e mais pungentes obras-primas da literatura portuguesa. Permita-me demonstrar a extraordinária dignidade com a qual todo um povo vive, apesar de estar na esteira do maior bloqueio económico jamais perpetrado ao longo dos últimos 50 anos.
“Fidel é um ditador que coarcta as liberdades e os direitos básicos das pessoas”… Senhor NAP, se existe alguém que coarcta o direito ao livre desenvolvimento de uma nação, chama-se “Tio Sam”, que, com o seu bloqueio criminoso, impede a chegada dos bens mais prementes à sobrevivência de todos os indivíduos! Todavia, você não tece um único comentário sobre tal facto. Será por má fé ou desconhecimento? Dou-lhe o benefício da dúvida e acredito que seja a segunda opção, já que procurar a dados históricos e relatórios da Amnistia Internacional e da Human Rights Watch (acerca do bloqueio), perscrutando por entre as brumas, deve ser um tormento, mas adiante…
Quanto a assassinatos políticos, fico-me pelo cientista britânico especialista em ADM, silenciado para que não se levantassem ondas sobre a legitimidade da invasão do Iraque…
Quanto ao primor que representa o respeito pelos direitos humanos em cuba e as razões que levam ao exílio, apresento-lhe as milhares de mulheres brasileiras e de leste que são traficadas para todo o mundo, oriundas de uma das maiores democracias…
Relativamente à revolução dos cravos incumbe-me dizer-lhe o seguinte: sou oriundo de uma família que levou a cabo sacrifícios tremendos durante as várias décadas de ditadura salazarista, tendo lutado na clandestinidade enquanto outros se deixavam subjugar pelo medo. Preservo no meu espírito a honra de ter partilhado momentos com alguém que sempre fora um lutador pela liberdade e não um dos muitos cobardes que no dia 24 apoiavam o regime e no dia seguinte bradavam aos quatro cantos do mundo pelo povo unido.
Sobre este assunto não recebo lições de quem quer que seja e acrescento que este não foi o país idealizado (nem de perto nem de longe) por aqueles que abdicaram do que lhes era mais precioso durante a luta.
Pergunte a um Capitão de Abril se está orgulhoso de um povo que vive mergulhado na ilusão, na adulação, dos centros comercias, das auto-estradas, do crédito ao consumo e cujas figuras de destaque são treinadores e jogadores da bola. Sim, esses mesmos capitães que foram esquecidos pelos aplausos da direita sedenta de cobrar uma dívida do passado.
As figuras de proa deste país, 32 anos após a revolução, são as mesmas que roubaram todo um povo, os senhores da alta finança que continuam a acumular fortunas esplendorosas enquanto milhões vivem na precariedade.
Se julga que este é o Portugal de Abril, então não sabe o que foi Abril, lamento dizer-lho.
O facto de ter suscitado o muro de Berlim faz-me uma certa “espécie”… Como é possível aplaudir a queda de um muro quando se silencia perante outros que se erguem (Palestina)?
Ao invés de se congratular com a ruína do bloco soviético, deveria lamentar o facto deste não ter logrado aplicar as reformas que o tornariam mais abertos ao mundo (Glasnost e Perestroika).
Sabe, porventura, qual o resultado do colapso, puro e simples, da URSS? O desmembramento de uma nação em várias (pequenas) repúblicas que não são viáveis e que se limitam a ser antros de corrupção, branqueamento de capitais, rotas de tráfico, e campos de treino terroristas. O resultado culminou com uma Chechénia em ruínas, da qual ninguém fala já que é um assunto interno do novo “czar democrata” Putin. Na transformação em sarjeta de uma nação que actualmente é gerida como se fosse um negócio dos oligarcas da máfia russa. Que raio de democracia é a Rússia, senhor NAP, actualmente? Não me venha dizer que sempre é melhor que no passado…É que não estou a ver um cidadão russo, habituado a que não lhe faltasse nada, desde alimentação a um salário seguro, passando por uma educação de escol, a cuidados de saúde de primeira linha, não esquecendo a pungente criação científica e intelectual que ainda hoje nos dá lições, bradar pelo novo regime. Não serão estas características, também, factores da livre condição do espírito humano? A Rússia caminhava em prol da sua reforma institucional, porém, a ânsia fervorosa pela hegemonia americanista, incapaz de suportar a concorrência, não perdeu a oportunidade de desferir uma machada fatal numa nação que hoje em dia não passa de uma vergonha escondida, apenas capaz de seguir em frente olhando para o passado.
Considerando o ranking da competitividade da U.E. verificamos (atónitos ou não) que os países de leste serão a locomotiva da Europa nos próximos 20 a 30 anos, ultrapassando Portugal e, inclusive, Espanha.
Já se questionou sobre a razão? Eu esclareço-o: enquanto que em Portugal a deturpação levada a cabo contra o 25 de Abril, apostava no betão e se deixava seduzir pelo senhor “Cunha” (eufemismo para corrupção) os povos do bloco de leste desenvolviam as suas capacidades intelectuais, através de uma educação para todos, e os seus aparelhos produtivos, baseados na justeza compensatória e numa elevada qualificação profissional. Olhando para nós, resumimo-nos a um mero projecto falhado e a um povo alienado. Para fechar este assunto, veja o que sucede diariamente nas antigas repúblicas soviéticas e lembre-se de Beslan e dos pequenos ditadores que por lá subsistem. O capitalismo só se contenta com as cinzas...quando já nada resta…
Os sistemas capitalistas triunfaram no mundo, é certo! Mas mais uma vez a sua análise peca por ser linear.
O capitalismo acena com o que de mais vil subsiste no ser humano: a adulação, a ilusão, o oásis do facilitismo, que tudo é possível, que tudo tem um preço, que tudo se vende e é passível de ser adquirido. O egoísmo que se entranha no nosso âmago, e a indiferença que condena mais de metade da humanidade a viver abaixo do limiar da pobreza.
Pergunto-lhe: já contemplou a miséria extrema? Respondo-lhe: eu já!
É este capitalismo, desprovido de pátria, para quem a bandeira das nações tem a cor do dinheiro, que faz girar um mundo cada vez mais desigual. Porventura, nunca se questionou sobre a razão pela qual um mundo que produz o equivalente a alimentar toda população duas vezes cruza os braços perante a fome que grassa em todos os continentes, países ricos e pobres?
Para o capitalismo, que o senhor NAP tenta branquear dizendo que não é perfeito mas mesmo assim é o melhor, vossa excelência não passa de uma unidade de produção tal como aquelas mulheres e crianças da democrata Índia que auferem 1,50 euros por cada 18 horas de trabalho sol a sol. Garanto-lhe que na “ditadura” de Castro todas as crianças têm acesso gratuito ao sistema escolar, não passam fome, apesar de não terem o famigerado Big Mac nas suas mochilas… Mas a democrata Índia tem tudo isso e tudo aquilo que vende ilusão, mas está desprovida do essencial: DIGNIDADE HUMANA! Está a ver como lhe dei um exemplo onde seu conceito de democracia está a anos-luz da “ditadura execrável” do “ditador” Fidel? Posso apresentar-lhe mais casos: em Portugal a taxa de mortalidade infantil é superior à de cuba (um país do 3º mundo!) e a taxa de alfabetização nacional não se compara ao pequeno rectângulo, o qual tem o mesmo número de habitantes, a mesma área e está sujeito a um bloqueio económico…Cada cidadão cubano está habilitado a levar a cabo mais do que uma tarefa em prol da comunidade e apesar de não se fazerem transportar em Mercedes e Volvos têm garantida o mínimo de subsistência.
Falou em “mérito próprio”, trabalho e esforço”, “sem estar dependente do Estado”…. Por momentos pensei que estava a falar de todos menos do país onde (presumo) vossa excelência nasceu!
Quanto ao Estado-Social….é uma questão de tempo até ser adoptado o bom velho estilo do wild wild west. Quiçá os seus netos apenas saibam o que tal significa pelos livros de história.
Referiu que não existe Estado de Direito em Cuba… Agora percebi qual a razão da sua confusão. O facto pelo qual considera que a Democracia é o único caminho para a Liberdade! No meu primeiro ano de Direito, explicaram-me na aula de Direito Constitucional, que Estado de Direito e Estado Democrático são coisas distintas e que o primeiro pode subsistir com outro sistema organizativo. Porventura não lhe explicaram, ou andou a fazer gazeta…. Ora se Cuba não é um Estado de Direito, significa que não há lei nem ordem….
Bolas! Já não há pachorra para a IGNORÃNCIA! Agora a terra de Fidel é o velho Texas do cowboy Bush!
Suponha, por meros instantes, que alguém ousaria levar a cabo o desígnio da transformação da sociedade portuguesa num sistema socialista, tal como está consagrado na CRP, e que os nuestros hermanos nos impunham um bloqueio… estou certo que o senhor NAP seria dos primeiros a queimar a nossa constituição. Considera que o povo Cubano seria merecedor de dignidade caso claudicasse perante esta chantagem?
Aborda, ilusoriamente, através de adjectivos laudatórios o esplendor dos sistemas ocidentais com os seus órgãos funcionais… Infelizmente, não se dá conta da eminente falência que grassa na senda da corrupção e no tráfico de influências. Desde Itália, na qual o senhor Berlusconi ousou manipular o sistema legislativo a seu gosto, tendo sido eleito, mesmo assim, por 2 vezes (quase por 3) através da sua retórica e movimentos manipulatórios. Como é possível que tal suceda em democracia? Já para não falar do recente escândalo em França com o presidente Chirac e o Watergate francês! Passando por Portugal e o nacional porreirismo reinante, ou a grande Espanha que durante os anos 80 combatia a ETA através dos esquadrões da morte. Ou a “potente” Alemanha que descobriu o jogo sujo do partido do seu unificador, já para não falar da sempre só e orgulhosa Inglaterra e as constantes mentiras que “legitimaram” a invasão do Iraque, acabando por concluir, como se nada se passasse, que afinal nada existia… E nosso caro país irmão (Brasil), no qual milhões sobrevivem em favelas enquanto do outro lado da rua reluz a exuberância!
As democracias ocidentais estão podres e tal facto se comprova pelo crescente alheamento dos seus cidadãos. Nenhuma democracia é passível de credibilidade quando se considera normal o facto de haver 40 a 60% de abstenção e quando uma franja da população considera não valer a pena fazer uso das instituições já que se considera excluída. Acredita piamente que é possível processar o Estado…Verdade! Mas quantos já lograram ou, sequer, ousaram faze-lo? E o abuso da prisão preventiva, a devassa das escutas telefónicas (já ouviu falar em ECHELON?) desprovidas de senso, o atraso do sistema judicial que acaba por se apresentar como uma fachada acessível a alguns, quando não chega irremediavelmente atrasada. E então os referendos que são “trocados” por um dia de praia, o P.R. que não passa de uma rainha de Inglaterra, o provedor de justiça que admite pouco poder fazer, as manifestações que se esvaziam em dias de jogo de futebol. A democracia não é uma figura abstracta, mas somos nós que a fazemos! E é pelo facto de já não se atribuir credibilidade a esta democracia que vai acabar por desaparecer. Pergunte a um indivíduo da sua geração se já votou, e quando o faz, qual a razão. A resposta é de estarrecer!
De uma forma sucinta, qualifico o seu comentário sobre o ensino superior como infeliz ou ridículo (escolha), nomeadamente frequentando vossa excelência, um estabelecimento de ensino que já viu milhares dos seus estudantes abandorem os seus cursos por falta de meios… O actual sistema de acção social é irrisório e apenas não sabe porque opta sempre por abordar temas que desconhece por completo. As suas propinas (que se gaba de poder pagar) servem exclusivamente para saldar o pagamento de ordenados de um funcionalismo público que compromete o futuro da nação, ao invés de pugnar pelo incremento da qualidade.
Para terminar, urge esclarecer que as maiores atrocidades levadas a cabo em solo Cubano são perpetradas em Guantanamo, território oficial do bastião da Democracia e Liberdade ocidental. É aqui que se tratam seres humanos como lixo, e onde não há direito a julgamento justo, nem a separação de poderes, nem a liberdade de expressão, nem direito ao contraditório ou a uma defesa capaz. É aqui que se encontram presos de consciência sem direito a uma magistratura livre e independente. É aqui que estão detidos, injustamente, indivíduos de 15, 16, e 17 anos sem possibilidade de contactar as próprias famílias. Prefiro mil vezes uma “ditadura” à moda de Fidel do que viver num país que é um antro de mentira e hipocrisia, uma das raízes do mal que grassa pelo planeta.

P.S. jamais, em tempo algum, viso o ataque meramente pessoal à sua pessoa, já que nem sequer o conheço.
Quiçá, a minha posição lhe pareça violenta, contudo, refiro-me unicamente a algumas das suas opiniões pelas quais denoto um profundo desprezo intelectual devido ao facto de estarem desprovidas do conhecimento mínimo exigível para uma dialéctica de boa fé. Falar de cor é sinónimo de ignorância e é por essa razão que o digo.
Quanto à provocação do último energúmeno, resta-me lamentar que tenha esse tipo de complexos sobre os comunistas, os mesmos que lutaram contra a ditadura salazarista enquanto (provavelmente) os seus se acobardaram.
Amo a liberdade acima de tudo e daria a minha vida por esta, porém, entristece-me viver num mundo que não se apercebe do rumo que segue.

 
At 13 maio, 2006 15:59, Anonymous Anónimo said...

Cunhal encarnou!
Vivam os Gulags!!!

CUrioso

 
At 15 maio, 2006 13:48, Anonymous Anónimo said...

Caro AFG:
Já não há paciência para os seus extensos e aborrecidos comentários, e, muito menos, para os ataques pessoais que teima em continuar a fazer em cada um deles.

 
At 16 maio, 2006 15:37, Anonymous Anónimo said...

E agora, hein?

"No início do programa, Castro
disse não prestar muita atenção a este tipo de afirmações: Tenho ouvido este tipo de mentiras durante meio século. Mas no final da emissão perdeu a calma e, encolerizado, desafiou o Presidente [norte-americano, George W.] Bush, a CIA, os 33 órgãos dos serviços secretos americanos, os milhares de bancos de mundo a provar a veracidade das acusações que lhe são feitas.

Ofereço-lhes, dou-lhes a prenda que todos eles querem. Quiseram eliminar-me e não conseguiram; quiseram obrigar-me a abandonar a revolução e eu agora desafio-os a provar o que disseram. Se provarem, não precisam de preparar mais planos, nem transições ou outras asneiras do género, concluiu".

 
At 17 maio, 2006 12:37, Anonymous olivia santos said...

Caro AFG
Admiro a sua cultura, mas condeno a sua maneira de pensar tão pró-ditadura

 
At 24 maio, 2006 06:10, Anonymous Anónimo said...

se repararem, o úultimo comentário do AFG demora 20 "page downs" a ser lido!!!

já é muito tarde e depois de estar a estudar filosofia do direito até agora torna-se impossível ler um texto tão longo e muito menos responder, já que, como os outros frequentadores do blog (pelo menos os que fizeram posts) discordo de tal modo do exposto que imagino que a minha resposta ocupasse 40 ecrãs e, sinceramente, em época de exames, acho que não merece que gaste com isto o meu merecido tempo de descanso.

bons exames para todos

BEK

 

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