08 dezembro 2006

Advogados, oferecem-se

«Por cada consulta são devidos honorários no valor de € 20,00, com IVA incluído, a pagar, antes do envio da resposta, por cheque, transferência bancária ou paypal». São advogados a oferecerem os seus serviços através da Internet. Uns entre tantos!

Com tantos e tão complicados problemas a afectarem as expectativas dos futuros licenciados em Direito, a ELSA Portugal fez incluir na Reunião Magna deste fim-de-semana a discussão em torno daquilo a que resolveram chamar "o problema do blog".
Não sabemos o que se passa em tão doutas cabeças.
Apenas esperamos que impere o bom senso.
Porque é dessa massa que se fazem os juristas.

JL

12 Comments:

At 10 dezembro, 2006 21:59, Anonymous Frederico said...

Não sei onde, talvez numa sala de aulas onde se brincava aos políticos, saudosas recordações de quando brincava aos enfermeiros e médicos, percebi que o vosso blog foi chamado a prestar contas perante o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição.
O receio da roda do despedaçamento, do açoite de ferro, do cavalete e o pavor do esmaga cabeça, da forquilha do herege e sobretudo da mesa de evisceração, fizeram-me perder o pio enquanto sonhava poder cantar as rimas da liberdade de expressão, aquele que seria o canto do cisne, o último e o menos imperfeito de todos os outros.
Claro que lá brincamos como o continuo a fazer aqui, a brincar com a vossa qualidade de hereges ou de apátridas elsianos ou de qualquer outra coisa que alguém depreendeu dos vossos textos. Interessei-me pela questão unicamente por não suportar que me digam o que fazer ou deixar de fazer, por isso, também para todo o resto desejo, estando ele dentro de regras e princípios básicos, que os outros, por terem opiniões diferentes, se abstenham de as impor a quem quer que seja. É certo que quem tem a verdade num bolso logo no outro tem a inquisição.
Esta nova versão do Índex Librorum Prohibitorum, agora dos tempos modernos, Índex Blogum Prohibitorum, pode ser muito interessante de ser seguido na Alemanha, lá no estrangeiro, mas não creio que tenhamos cara pálida, sejamos frios e de sentimentos pedernais, nem que um dia tenhamos feito parte de um Reich. Se é verdade que nesse país de grandes e eruditas culturas se seja político por ter uma opinião e automaticamente a ela se vincule tanto a instituição como o autor, aqui, neste rectângulo a que chamo Portugal, pensamos de forma diferente. Os argumentos a vosso favor seriam de larga extensão caso os quisesse enumerar (poupem-me), mas prefiro ficar por um e apenas este – quando se acusa alguém parece-me útil que se saiba definir a acusação. Lembro-me da mulher a quem perguntaram se a estátua era equestre, ao qual era respondeu – Assim-assim. Se vocês violam o princípio da Elsa Internacional que consagra o dever dos núcleos de se manterem apolíticos, parece-me que a resposta deles seria – Assim-assim.
Não pude deixar de ficar curioso e por isso vim dar uma vista de olhos a este problemático blog. Quanto ao resto, sei que se vão entender com a Elsa Portugal e os meus desejos vão nesse sentido.
Saudações

 
At 12 dezembro, 2006 01:54, Anonymous Associado da ELSA - João Thiago Rocha Ferreira said...

Curiosa a caracterização de "inquisição", misturando nazismo e religião no mesmo pote com nacionalidades e heresias no meio. Enfim, uma salada russa, a qual tanto os autores deste blog comem (e gostam do que comem, se não, não perderiam os seus tempos nesta associação chamada ELSA) como os que a comentam (ou então, estão claramente no lugar errado).

Para aqueles que não entendem o mais básico do tal "problema do blog" do qual não me recordo de ouvir ninguém da "Nacional" o ter colocado dessa forma, nem o li escrito em qualquer documento, tentarei caracteriza-lo metaforicamente da forma mais básica possível:
Parece-me que em cada lugar, existem meios de discussão. Por exemplo, num blog que tem como tema apenas o futebol, haja pessoas que lá querem ir falar de culinária, e em como numa receita de Francesinhas o sabor melhora se tiver mais cerveja no molhinho, será justo que os seus autores censurem a tão proclamada "Liberdade de Expressão" simplesmente porque o artigo sobre as francesinhas se encontra completamente fora do contexto de debate desse mesmo fórum?
Ou então, poderia alguém imaginar uma bela bailarina num campo de futebol? Não achariam caricato um jovem activo a morar num lar de terceira idade? Existirá enquadramento? E então o direito da bailarina fazer o seu desporto? E o direito desse jovem ter uma casa para habitar?
Creio que aqui não há ninguém que condene uma bailarina, um jovem activo, ou os cozinheiros. Simplesmente o seu enquadramento no meio é totalmente errado. Ninguém condena a receita do cozinheiro. Condena-se sim o espaço em que o cozinheiro quer publicar a sua receita!

Dos argumentos contrários, que também serão inumeráveis, apresentarei aqui também apenas um.
Curioso também o levantamento do problema da etimologia da palavra "não-político". Mas nem todos os dicionários ou enciclopédias essa palavra por lá se encontra, sendo ela bastante lata. Procurem na Wikipédia e verão que nem aí será fácil. Mas com a definição contrária, muito a poderão enquadrar com este blog. Político, é também "Alguém que tem o poder de formar opinião pública.". Contudo, a "acusação" de "político" é extremamente redutor.

Se os autores do blog da ELSA UMinho querem (como já disseram neste blog) intervir no debate público de opiniões, porque não abrir um blog com o nome "Casino do século XXI" ou "O Casino do Minho"? A Associação ELSA, quer promover estágios de estudantes e jovens licenciados pela Europa, quer promover intercâmbios com universidades de outros países europeus, quer promover seminários e conferências internacionais ou até ter publicações informativas das cidades e universidades europeias ou simulações de tribunais. Não quer falar sobre "a merda do preparador físico do FCP" (ora que linguagem se mostra num espaço onde muitos dos patrocinadores que sustentam as nossas actividades poderão visitar) ou as piscinas do Cristiano Ronaldo. Nem das acusações de "Laranjinha" aos autores deste blog, feitas no meio académico do Minho. Muito menos um meio de intrigas onde os autores podem sarcasticamente caracterizar os membros das direcções elsianas como "doutas cabeças". Etc, etc, etc..

Tentarei ser um pouco construtivo, uma vez que nem no blog nem no anterior comentário, encontrei algo do género.
Se um dos argumentos do blog é o facto de este poder ser encarado como uma conferência de ideias livres, porque não surgirem tópicos de discussão jurídicos? Porque não publicar as actividades levadas a cabo pelos núcleos locais nacionais e internacionais, das ELSAs nacionais e da ELSA Internacional? E se houvesse um maior cuidado na linguagem aqui utilizada (ou estarei também eu a atentar contra a liberdade de expressão ao pedir um pouco de cuidado na imagem da ELSA?)?

Enfim, se houver razões válidas dos dois lados e razões inválidas dos dois lados, uma coisa será certa: mudança e entendimento terá de ser de facto encontrado, pelo bem da ELSA e principalmente... pelo bem do núcleo.

 
At 12 dezembro, 2006 02:02, Anonymous idem said...

Errata:

No quinto parágrafo, leia-se "Tentarei ser um pouco construtivo, uma vez que nem neste artigo do blog nem no anterior comentário, encontrei algo do género."

 
At 12 dezembro, 2006 19:16, Anonymous jl said...

Caro associado da ELSA
João Thiago,

Grato pelo comentário.
Mas devo declarar desde já que não o acompanho nem no sentido nem nos termos da argumentação que apresenta.
Sem prejuizo de vir a desenvolver o assunto - logo que o trabalho o permita - deixe-me dizer-lhe, pelo menos, aquilo que já há alguns anos ouvi de uma douta cabeça de um insigne jurista:
"O Jurista que apenas sabe de Direito, nem de Direito sabe!"
Pelo que não é crível que se aceite ou admita que num espaço como este, onde os autores são e querem permanecer livres de escolher os temas a abordar,se circunscreva o âmbito dos assuntos ao jurídico.
Tal como escrevi no post "Será que vale a pena?":
"Não por obrigação mas porque entenderam desde há muito que o sentido crítico e de análise do jurista não se forma nem enforma apenas nas aulas ou nos "cadernos".
Partir da realidade, percebê-la e interpretá-la para depois se descobrir onde está e como funciona o Direito é um exercício que se faz, fazendo.
Infelizmente, para muitos, irão aprender à sua custa e num momento em que não é permitido falhar - no exercício da profissão."
Voltarei ao assunto!

 
At 12 dezembro, 2006 22:08, Anonymous ibidem said...

Caro amigo não identificado jl (falta de identificação...fugirás de alguma coisa?),

Acabaste portanto de confirmar o que vem escrito no meu comentário: que estás desenquadrado com a elsa. Porque se a elsa é um meio de estudantes de direito e te apetece comentar o futebol da primeira liga, estás então desenquadrado.
No entanto, deixa-me que te diga que os temas à escolha dos autores podem ainda serem vastos. Mas claro, sempre no âmbito ELSA, que quer que se seja imparcial, sem tomada de posições (políticas ou que quer que seja), e obviamente, com uma linguagem essencialmente mais bem cuidada.
Acredito que se se preocupassem em difundir todas as actividades da ELSA que vos devería chegar diariamente às caixas de mail via mailling list da ELSA Portugal, muito menos tempo teríam para comentar o humor de políticos nacionais, que mais uma vez, em nada deverá acrescentar à ELSA.
Ao contrário de ti, e com todo o respeito ao blog e aos seus autores, não voltarei ao assunto. Talvez será mais certo, de quem defende uma posição como a minha, que só volte a intervir (e com muito gosto!) neste blog quando ele de facto mudar.
Espero ancioso por esse momento!

 
At 12 dezembro, 2006 23:11, Anonymous jl said...

Meu caro João Thiago,
Acabo de me sentar para iniciar uma "noitada de trabalho", não académico, porque a vida não se esgota nos bancos da universidade onde alguns se julgam donos e senhores da razão e entendem que a podem impor aos outros.
Não lhe fica bem tratar-me por "não identificado" quando sabe quem eu sou e, ainda por cima, assino o que escrevo.
Porque não me conhece para além do nome e do institucional, também não lhe fica bem discorrer num tom e numa linguagem que são impróprios para quem aspira a ser jurista.
Quanto à linguagem mais bem cuidada estamos conversados quanto àquela que usa e quanto ao modo como o faz.
Quanto ao teor do 3º parágrafo fique ciente que, em circunstância alguma, me fará entrar num campo de discussão que muitos classificariam de "lavagem de roupa suja".
Voltar ou não voltar ao assunto, eis a questão!
Não é pelo facto de ameaçar não voltar que o blog vá "fechar". A sua existência depende da vontade de quem o faz e do prazer que outros - muitos - sentem em por aqui passar.
Sem que se sintam melindrados com minudências a que outros - poucos - dão suprema importância.
Volte sempre porque será bem-vindo!

 
At 13 dezembro, 2006 15:16, Anonymous Observador said...

Sou um anónimo, desconhecido, finalista do curso de Direito de uma faculdade que possui um núcleo da ELSA.
Esta asssociação não tem tido acções de relevo na instituição a que pertenço, nem sequer quanto à sua divulgação. A imagem que passa para o comum do estudante é a de um "clube" pseudo-elitista de alunos que apreciam viajar, fingir que trabalham e que falam de assuntos importantes... A única coisa que divulgam e de bom grado são as festas dos passeiinhos que fazem, nos quais supostamente se embebedam quase até à morte, entre outras coisas muito a propósito de uma associação que augura tanto reconhecimento no panorama das faculdades de Direito do País e da Europa.
Dai que não perceba a reacção moralista face a este blog, que se limita a apreciar, na minha opinião com bastante interesse, os acontecimentos do dia a dia. Fico bem mais impressionado com atitudes deste género, do que com os ditos eventos que teimam em julgar tão oportunos e costrutivos.
Sem mais de momento.

 
At 14 dezembro, 2006 16:50, Anonymous Anónimo said...

Eu também não passo de um aluno de uma escola de Direito do país onde há um núcleo da ELSA, no entanto tenho que referir que creio que tudo o que eles fazem nada tem a ver com os propósitos da ELSA. Acho mal não respeitarem os desejos da ELSA Portugal, visto que sem a existência desta instituição a deles não fazia qualquer sentido, uma vez que não passam duma secção duma Associação.
Enfim temos que nos resignar a ouvir grupos de pseudo-intelectuais que se agrupam e entram na única Associação disponivel para liderarem, a ELSA.

 
At 14 dezembro, 2006 17:52, Anonymous jl said...

Com pseudónimo ou na condição de anonimato é fácil emitir opinião sem que a ela se fique vinculado e pela mesma se possa ser responsabilizado.
A verdade é que há por aqui alguns candidatos a juristas que terão um longo caminho a percorrer como todos os outros. Mas para eles haverá sempre uma dificuldade acrescida que é a falta de verticalidade e/ou de coragem que lhes permita emitir opinião sobre aquilo que desconhecem e, ainda mais grave, classificar os outros com uma ligeireza que é confrangedora.
Tudo bem! Façam o vosso caminho e deixem que os outros façam o deles.
Há quem procure a projecção pessoal pelo exercício de cargos ditos públicos.
Mas, terão de convir, muitos outros buscam a projecção e o sucesso pelo trabalho, pelo esforço e pela disponibilidade de, também, estar na vida associativa e não por via dela.
Aqui reside a diferença!

 
At 15 dezembro, 2006 18:59, Anonymous Observador said...

Carissimo jl, temos todo o direito de emitir opinião aqui ou em outro lado, se não o quiser ler, ignore...é mais fácil. Se calhar o anonimato tem algum sentido, já pensou que podemos estar a falar por um número generoso de pessoas que partilham a mesma opinião?! E o senhor, não estará tb sob o véu do anonimato?! Duas letras não o associam a ninguém que conheça...peço-lhe desculpa por isso, sim?!
Não julgue que por não me identificar não conheço os meandros da ELSA, nem tudo é assim tão óbvio meu caro...E se classifico como classifico, acredite que é com muito conhecimento de causa. Se o seu núcleo não funciona como descrevi, peço desculpa, em toda a regra tem de haver uma excepção.
Com os melhores cumprimentos.

 
At 16 dezembro, 2006 01:55, Anonymous jl said...

Meu caro Observador,
Lamento ter sido mal interpretado nas minhas palavras.
Aquilo que pretendo destacar são as observações daqueles que, à semelhança deste anónimo que antes se dispôs a comentar, apenas se preocupam em encontrar forma de tentar a descredibilização de um modo de comunicação que entendemos dever manter.
E vamos manter!
O desafio é sermos criativos e provocadores o bastante para que outros sintam o prazer de por aqui passar e deixar os seus comentários.
Serão sempre bem-vindos!

 
At 16 dezembro, 2006 08:26, Anonymous Frederico said...

Meus caros,

Não querendo ser, nem mesmo me fazer passar, por patrono deste núcleo continuo a achar que a razão lhes assiste. Sou teimoso, que fazer?
Em resposta ao intrépido anónimo quando afirmar – “visto que sem a existência desta instituição (Elsa Portugal) a deles não fazia qualquer sentido”. Meu caro, é precisamente ao contrário, sem os núcleos a Elsa Portugal não fazia qualquer sentido, nós sempre podemos mudar de nome (Núcleo de Estudantes de Direito da Universidade Y – por exemplo) e se calhar é por isso que há que acabar com o arcaico uso da máxima, “em cima manda-se, em baixo obedece-se”. E isto tanto acontece aqui como em tudo o resto. São instituições como a Elsa Portugal, entre tantas outras, que treinam futuros homens da verdade, futuros detentores de altos cargos públicos, presentes homens que procuram o parasitismo do “tacho”, a vida fácil de ordenados principescos e no fim o pobre povo é que os alimenta. É sempre o mesmo quem paga. Pois, para esses, é melhor que aprendam de tenra idade e desde logo, que se sempre foi assim, nem sempre será. Algo vai mudar e parece-me, sem que para isso violem o princípio de que são acusados, que este blog contribui de certa forma para isso. Ressalvo que isto não é alguma espécie de ataque pessoal.
Quanto a apolítico, a história é simples – apolítico é não ter política alguma. Interessa agora saber o que é política ou politico, porque não basta quando se acusa alguém que se defina política como aquela coisa que os “gajos fazem na assembleia, na câmara ou na junta de freguesia”. Concordo quando afirmam que é de demasiada dificuldade a distinção, por isso, a história continua simples. Em caso de dúvida, beneficia-se o ataque. Quem ataca? Simples, é quem tenta cumprir o objectivo de marcar golos. O que é nesta analogia marcar golos? É trabalhar e mostrar trabalho feito. Por outro lado, é bem possível que na Áustria e na Alemanha eles até tenham um almanaque que distinga claramente o que é ser político de apolítico ou que até a forma de governo por eles adoptada seja de tal forma perfeita que haja uma completa distinção entre direito e político. Insisto que nos encontramos em Portugal e que também os estatutos de associações internacionais têm que se acomodar à realidade do nosso país. Neste, no qual vivo, não consigo distinguir política de direito. Talvez infelizmente.
Cumprimentos

 

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