03 dezembro 2005

Sociedade Nova

A Bélgica prepara-se para permitir a adopção de crianças por casais homosexuais. Um escândalo! Dirão uns. Será natural essa reacção...Não esqueçamos que em portugal não é sequer permitido o Casamento entre pessoas do mesmo sexo. Está o nosso país no extremo oposto da questão.

Prevejo que Portugal demore décadas a esquecer, ou a perceber, que certos ensinamentos católicos não são mais do que a representação de sentimentos e ideias de uma época que, por sinal, foi já ultrapassada há muitos anos.

Os jovens e adultos que escreverão a história do século XXI têm hoje acesso a um vasto número de divertimentos de todo o género, de ocupações e socializações, que no início do século XX eram inimagináveis.

O conceito clássico de família está, seguindo este pensamento, a perder importância uma vez que a solidão não é um perigo nos dias de hoje como seria no início do século XX. É cada vez menos uma necessidade.

Países vanguardistas, que cedo se libertaram das amarras do conservadorismo, parecem ter entendido que:
Num primeiro ponto, o Amor, como elemento essencial do Casamento não existe apenas entre o Sexo oposto. Num segundo e mais relevante ponto, que uma criança susceptível de adopção receberá muito mais carinho e terá muitas mais condições de vida nas mãos de duas pessoas que realmente a desejam e tenham condições para a ter, do que nos corredores de uma lar, abandonados ao frio sentimento daqueles que lá trabalham.

Já dizia o saudoso Luis de Camões: "Mudam-se os tempos mudam-se as vontades"

PENDULUM

6 Comments:

At 04 dezembro, 2005 16:21, Blogger Sónia Monteiro said...

Já dizia o Grande Poeta "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...Todo o Mundo é feito de Mudança..."! Todavia, há coisas que se permanecem inalteráveis, como por exemplo, o facto de para haver filiação é necessário um Homem e uma Mulher, para nascer uma criança é necessário um pai e uma mãe...
Assim, e tendo em conta que a adpoção procura imitar a filiação natural, não entendo que esteja a Bélgica a agir correctamente e sejamos nós os atrasados e energúmenos de sempre, presos às amarras do tão criticado catolicismo.

 
At 05 dezembro, 2005 11:57, Anonymous Anónimo said...

Caro Spsm:

Levantou o argumento mais importante e relevante daqueles que não aceitam a adopção por casais homosexuais.

Eu penso que a questão vai mais à frente do que uma tentativa de imitação da filiação natural.

Trata-se, no meu entender, de possibilitar que jovens carenciados de afecto paternal - que caso contrário o seriam para toda vida - possam receber o equivalente ao amor de uma mãe e de um pai que nunca tiveram, apesar de, naturalmente, a procriação ser uma acto apenaas possível entre duas pessoas do sexo oposto.

Pendulum

 
At 05 dezembro, 2005 13:19, Anonymous Olívia Santos said...

Pessoalmente, penso que a questão da homossexualidade não terá já muito a ver com os ensinamentos católicos, pois estes também defendem a tolerância e o amor ao próximo. Trata-se, acima de tudo, e mais uma vez, de uma questão de mentalidade.
Que terão de errado duas pessoas homossexuais que não teriam se fossem heterossexuais? Não são convencionais? Não agem de acordo com as normas da sociedade?
Eu defendo que uma criança merece muito amor e carinho. Se as duas pessoas que lho vão dar são do mesmo sexo, porque não?
O que será melhor? Ser bem tratado, amado e acarinhado por dois pais ou duas mães, ou maltratado e mal amado, por um pai ou uma mãe???
Respondo com facilidade: a primeira opção. A família deve ser uma base de apoio sólida na vida de qualquer pessoa. Que diferença faz se os pais são do mesmo sexo?
Quantas vezes não amamos pessoas com as quais não temos laços de sangue? Quantas vezes a família é a principal causadora de traumas e distúrbios emocionais?
Se a criança for criada por um casal homossexual, terá, pelo menos, uma vantagem em relação a todas as outras: saberá aceitar desde cedo a diferença, principal dificuldade que todos nós, seres humanos, partilhamos, porque partimos, muitas vezes, do princípio que os outros devem ser como nós.
Se fizerem um referendo para aprovação de uma lei semelhante, serei acérrima defensora do sim: sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e sim à adopção de crianças pelos casais homossexuais.
Quanto ao facto de a adopção procurar imitar a filiação natural, é um assunto sobre o qual não me posso pronunciar, já que não é a minha área. Mas digam-me lá, não estará na hora de mudar?

 
At 05 dezembro, 2005 13:21, Anonymous Anónimo said...

O amor entre duas pessoas, sejam elas de que sexo forem nao me parece que seja algo a condenar pricipalmente num mundo cada vez mais necessitado de demonstrações de afecto puro! Vivam e deixem viver!!

Gui

 
At 07 dezembro, 2005 12:38, Anonymous Anónimo said...

A Gui sempre introspectiva a proporcionar momentos de grande reflexão….

Meu caro Pendulum,

Compreendo a sua preocupação, todavia não me parece que o ataque a nossa tradição católica seja o melhor caminho para a mudança. Dado que Portugal não é a Bélgica nem tem a historia dos Países Baixos, devemos olhar para o nosso pais de forma clara e não negando a suas raízes e a sua matriz religiosa….
Relembro-lhe que no passado todos aqueles que tentaram subverter o sentimento católico do nosso povo acabou por sair derrotado… dado que num compreendiam o povo que governavam

 
At 07 dezembro, 2005 12:38, Anonymous Anónimo said...

A Gui sempre introspectiva a proporcionar momentos de grande reflexão….

Meu caro Pendulum,

Compreendo a sua preocupação, todavia não me parece que o ataque a nossa tradição católica seja o melhor caminho para a mudança. Dado que Portugal não é a Bélgica nem tem a historia dos Países Baixos, devemos olhar para o nosso pais de forma clara e não negando a suas raízes e a sua matriz religiosa….
Relembro-lhe que no passado todos aqueles que tentaram subverter o sentimento católico do nosso povo acabou por sair derrotado… dado que num compreendiam o povo que governavam

 

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