04 dezembro 2004

DURA PRAXIS

A praxe... todos os anos com a entrada dos novos alunos para o ensino superior
tem lugar nas nossas universidades aquilo que se costuma designar de praxe.
Achei por bem, na sequência de muitas conversas com amigos sobre este tema,
escrever e reflectir sobre a praxe analisando as razões esgrimidas pelos
defensores e pelos opositores.
Normalmente, os argumentos expostos por quem defende a praxe vão no sentido de
realçar que se trata de uma tradição (coimbrã entenda-se) que importa
manter, é através da praxe que se consegue a tão desejada integração
académica (seja lá isso o que for), que se conhecem os novos colegas, os
"doutores"e a instituição de ensino onde os "caloiros " passarão os
próximos anos da sua vida. A praxe servirá para incutir (nos caloiros) o
merecido e desejado respeito pelos "doutores". Argumentam, ainda, que a
praxe não é obrigatória e que só participa quem quiser.
Do outro lado da barricada estão os opositores da praxe, acusando-a de ser
atentatória contra a dignidade dos novos alunos, sujeitando-os a práticas
humilhantes e arbitrárias; relatando se necessário inúmeros casos em que a
praxe provocou danos físicos e psicológicos aos novos alunos.
Tenho 21 anos e vou a caminho de quatro anos de ensino superior e sei como é a
praxe, sei o que é ser praxado, não sei o que é praxar. Se sou contra a
praxe? Sim, sou contra esta praxe.
Mas vejamos os argumentos a favor da praxe. No que diz respeito à tradição
parece-me absolutamente idiota dizer-se que só porque em todas as
universidades se pratica tais actividades então também teremos de fazer!
Imagine-se o que era uma universidade, um curso sem praxe! Tudo ruía, tudo
deixava de fazer sentido, perdia-se a identidade do estudante universitário!
Meu Deus, qual é o medo de mudar, de ser diferente? Custa-me, ainda mais, ver
que as universidades ditas novas (como é a nossa) copiaram as universidades
clássicas na íntegra... Os argumentos da integração e do respeito
parecem-me ainda mais risíveis, sobretudo quando senti na pele os métodos de
integração: cabeça baixa, ser insultado, rastejar, ouvir aos ouvidos
palavras ofensivas. O respeito ganha-se através do respeito, como diz o povo:
"Quem quer ser respeitado tem de se dar ao respeito".
Acreditem-me que não é fácil dizer NÂO à praxe; imaginem o que é um aluno
recém-chegado à universidade, sem conhecidos, abandonando muitas vezes a
cidade onde vivera até então, e dizem-lhe: "Só vens à praxe se quiseres.
Mas olha que se não fores não vais poder usar traje, não podes participar
nas actividades académicas, não vais conhecer ninguém." Ele pensa:" isto
vai ser duro, mas sempre quis usar traje, quero conhecer o pessoal, é melhor
aguentar... se não for ainda me ostracizam." Não há, quanto a mim, uma
verdadeira escolha. E quem controla o que se faz na praxe? As trupes? Por
favor! Alguém acredita que um "doutor" vai por na linha um colega? Ora
bem, há sempre o bom senso de cada um... Meus amigos, usar um traje em
contexto de praxe confere muito poder e o poder corrompe a mais impoluta das
almas... Parece-me muito pouco, para não dizer nada!
Todos os anos vem a lume nos jornais casos de praxes violentas, que terminam
no hospital ou infelizmente como aconteceu na a um aluno do 4º ano de
Arquitectura, na morgue! Estou a ser duro? Talvez esteja, afinal conheço
pessoas que gostaram genuinamente da praxe, que inclusive gostariam de ser
praxadas novamente. Não entendo, e eu considero-me uma pessoa com sentido de
humor. O que me deixa completamente estarrecido é a total passividade dos
órgãos da academia, do Reitor, do Senado, parece que têm medo, terão?
E agora? Quanto a mim pode optar-se por manter tudo na mesma e, mais ano menos
ano, algo de muito grave vai acontecer, mais alguém irá sofrer consequências
ou mesmo morrer e talvez se acabe com a praxe por determinação governamental
ou legislativa. Outro caminho, o mais digno, é o de optar por integrar
realmente os novos alunos. Que se continue a chamar praxe, por mim é igual;
importa é mudar a substância da coisa: receber os novos colegas de olhos nos
olhos, como iguais, conversando civilizadamente, mostrando-lhes a academia, a
cidade, dando possibilidade que os novos alunos se conheçam entre si,
organizando eventos diversos, num ambiente salutar de respeito mútuo que faça
jus àquilo que se espera de um estabelecimento de ensino que se diz superior.
Tenhamos coragem de mudar. Será assim tão difícil; ou ninguém quer
abandonar o poder que a praxe dá? Seremos assim tão sequiosos de mandar em
alguém?

Experimente-se, aposto que é melhor do que esta praxe

NAP

13 Comments:

At 06 dezembro, 2004 20:15, Anonymous Anónimo said...

Kem te praxou(e permite-me o tratamento por tu)não soube fazê-lo e pior não soube explicar-te o que era a praxe. Comecei com algum interesse a ler o q escreveste mas depressa o perdi porque deves kerer fazer doutrina sobre o tema...não deves ter por hábito ler crónicas semanais de pseudo jornalistas intelectuais q afirmam q a praxe não tem nada de dignificante...Um texto como este além de fora de tempo (estamos em dezembro!!!!!!!)é apenas mais um (sem grande qualidade de escrita para alguém q será doutor em direito)...
Fui praxada nessa universidade e a melhor amiga q tive foi alguém q me praxou...quando praxei,entre os "meus caloiros" fiz grandes amigos,pessoas com quem ainda hoje falo regularmente e q estão sempre no meu coração,isto para não falar nos amigos q fiz durante a praxe...formamos um grupo q ainda hoje se mantém,já quase todos licenciados, mas continumos a marcar as nossas "jantaradas"...
Espero q não leves a mal frontalidade mas num blog da elsa (que tb guardo no coração) pareceu-me um pouco despropositado o tema...mas a liberdade de expressão e de opinião prevalece sobre tudo isto.
Com os mais sinceros cumprimentos,
uma ex-aluna e ex-elsiana

 
At 07 dezembro, 2004 01:12, Blogger Casino da ELSA said...

Primeiramente, gostava de saber como é que um licenciado que escreve com abreviaturas e que não sabe pontuar, tem tanto à-vontade para criticar um texto bem escrito e tão bem argumentado.
Depois, isso do estar fora de tempo, é muito relativo porque os que se dizem doutores continuam a praxar, mesmo estando nós em Dezembro!!
O facto de se gostar da praxe (cada um é como é), não significa que esta não seja cruel, deseducativa e altamente pertubadora para quem utiliza o espaço universitário para coisas sérias como assistir às aulas ou estudar na biblioteca. Os pontos positivos deixo-os para quem gostou de ser humilhado e desrespeitado.
Quanto às "jantaradas" e aos amigos, fazem-se muito bem sem a praxe. Um licenciado, ex-colaborador de uma associação tão produtiva como a elsa (será que o era quando eras aluna?), deveria aprender a contra-argumentar solidamente.

Olívia Santos

 
At 07 dezembro, 2004 01:39, Blogger Casino da ELSA said...

Cara Ex colega Elsiana,

Em primeiro lugar, a dita liberdade de expressão que propala serve para as pessoas falarem do que lhes apetece no momento em que acham conveniente, e quando os "cegos são muitos, todos os raios de luz são benéficos". Em segundo, dizer que algo está mal, (o texto) sem lhe apontar os erros e propor soluções, parece-me, Cara Doutora, que é um erro vergonhoso e crasso de quem supostamente já exerce ou tem pretensões a tal. Por último, mas não menos importante, é o facto do anomimato, direito que lhe concerne, no entanto observo-o estranhamente, já que me parece que quem o utiliza se esconde, não por vergonha, mas pela falta de convicção nas asserções, ou um lacónico conhecimento da matéria, o que redunda num comentário frívolo.

Pedro Bastos

 
At 07 dezembro, 2004 15:25, Anonymous Anónimo said...

O anónimo que escreveu o 1º post mexeu convosco...Estão todos em bicos de pés...
Mas apesar de ressalvar para mim o que penso sobre a praxe, permitam-me que diga que o texto não é que esteja mal escrito mas é enorme (chegamos a meio e já não há paciência que resista) e não foge em nada ao que se tem lido por aí...
Espero que não me respondam da mesma forma que responderam ao tal ex-aluno porque penso que a forma como o fizeram além de deselegante e agressiva não pauta os princípios pelos quais a elsa se rege (sabem aqueles que até estão consagrados em estatuto...).O ex-aluno não gostou do texto faz um comentário,só significa que o blog resulta...com essas atitudes quase de meninos ofendidos afastam quem os lê.
Saudações elsianas.
P.S.-o texto da polémica também não vinha assinado (3 iniciais que as pessoas não têm por obrigação saber quem é) e assinar o comentário para poder criticar o anonimato é lamentável...

 
At 07 dezembro, 2004 15:29, Anonymous Anónimo said...

Vou tb de anónimo pra ver se me dizem o q disseram ao 1º!!!Tás mt stressado pedro,os exames são só pró ano...Já experimentaste ioga?
Curte a vida e não eskeças q todos temos direito a gostar ou ñ,dizer bem ou mal...pareces o santana...

 
At 08 dezembro, 2004 13:56, Blogger Filipe Medeiros said...

Caros amigos,
tenho vindo a seguir com atenção a acesa discussão (como tantas outras) albergadas aqui no blog da Elsa.
Visto que somos todos alunos de Direito (melhor, outros o serão outra vez), nada melhor que dirimir este pequeno qui pro quo, deitando mão de um artifício, para nós tão querido,assumindo a forma mentis tipicamente jurídica.
Apesar da relevância dos argumentos apresentados parte a parte, que, nem o amofinamento, tão pouco a senioridade experiencialista, garantem como absolutos, olhemos ex novo para a questão através da polida lente do Direito.
1- É reconhecida a existência de Direitos imanentes à pessoa humana, chamados de fundamentais (fruto de um lento desenvolvimento, throughout the centuries, da propria ontologia do ser humano).
2- Dentro destes, encontramos a sub-categoria dos DLG´s, relevantíssimos para o efeito.
3- A utilização de mecanismos coercivos, como é caso da praxe, viola, clararamente, esses direitos.
4- A praxe é ilegal.

Abordando a questão por outro prisma:
1- Existe um mecanismo que possibilita, de certa forma, "suspender" os efeitos dos DLG´s, conforme defende uma doutrina mais avançada: a auto-limitação dos DLG´s.
2- Partindo das asserções prévias acerca da ilegalidade da praxe, o "caloiro" pode escolher, ainda assim, desta participar, e, certa forma, limitar os seus DLg´s, mediante expresso consentimento ( daí a figura dos "contratos de praxe", à dois anos, por mim sugerida).
3- Esta actuação e a possibilidade de escolha, dadas ao "caloiro", funcionariam como elemento mais indicativo do elemento volitivo-final da pessoa humana, como EFECTIVA detentora dos seus direitos.

CONCLUSÂO:

Bem sei que o comment já vai longo, mas não terminarei sem antes apresentar aqui, uma conclusão, que, mantendo apenas e só a praxe como objecto do nosso estudo, apresenta um entorse à metodologia do raciocínio até aqui produzido. Chamarei, para meu auxílio, a ferramenta macroscópica da sociologia, bem como o bisturí preciso (afirmação muito discutível) da psicologia, pontuados, aqui e ali por uma base de cariz filosófico.

Apesar da, reitero, válida discussão pelos senhores(as) mantida neste blog, não posso deixar de considerar que, tal discussão, como muitas outras (cada vez mais), carece de uma metodologia de fundo que não nos permite escrutinar, com clareza, o objecto em análise. São esgrimidos, paralela e horizontalmente, argumentos que, mais do que pouca relevância trazerem à discussão, entorpecem o seu normal desenrolar e vos afastam, cada vez mais do objectivo dialéctico de uma conversa.
Por último, e, na esperança de, no último parágrafo não ter insidido nos pecados que profetizei, para mim, a praxe, é apenas mais um mecanismo de controle na esfera social. Quem a pratica, acredito, não terá, na maior das vezes, más intenções, apenas não entende o verdadeiro alcance de tal Instituto, no domínio legal e etiológico.

Todavia, e como nos diz o autor do post original, "sei como é a praxe, sei o que é ser praxado, não sei o que é praxar. Se sou contra a praxe? Sim, sou contra esta praxe.".
Existe afirmação mais inequivoca do que esta?.
O livre arbitrio na sua forma de expressão mais pura, a ponderação de todos os elementos objectivos e subjectivos que enformam o raciocínio, e, a escolha.
It all comes down to that: A escolha.
Sejam contra, sejam a favor, gritem, pulem, atirem-se ao ar, agora, por favor, nunca limitem a ninguém o poder de escolher

 
At 09 dezembro, 2004 22:32, Blogger AgoraEu said...

Bom texto. Bem trabalhado mas - e acima de tudo - muito bem pensado.
Acolhimento, integração - palavras vãs!
O que importa é o gozo que isso dá e a satisfação de "dever cumprido": "Fizeram-nos! Agora somos nós a fazer! E quanto pior, melhor!"
Não é imaginação. É o que se ouve nas reuniões de preparação da praxe.
A "tradição" passa, inevitavelmente, ao lado da grande oportunidade que é a valorização do indivíduo!
Dá que pensar este estado de coisas e estas pessoas que se comprazem afirmando "os meus caloiros" e "até fazemos jantaradas".

 
At 10 dezembro, 2004 03:29, Anonymous Anónimo said...

Antes dmais devo dizer k concordo completament com o texto..
Pessoalmente axo k a praxe sofre d 1 problema de mentalidade, tanto da parte de kem praxa cm d kem é praxado.. e esse é o maior obstaculo a k s consiga fazer da praxe akilo k supostament ela é: 1 ritual d integração..
Kem é praxado peca pk mtas vezes o é, contra vontade e nd faz (tb pouco pode) para contrariar.. Kem praxa, pk mtas vezes n sabe definir os limites do razoavel para o "ritual d integração".. E tb pk muitas vezes n sabe defenir o k é praxe e o k é pessoal..
Considero k a praxe é 1 meio "interessant" d integrar os caloiros na academia.. É o k xtá mais à mão, o k serve mais interesses, cm por exemplo, o puro gozo d kem praxa.. O k n ker dizer k seja o melhor, alias, n m lembro em k é k andar a rastejar pela universidade contribuiu para m sentir integrado.. é certo k foi na praxe k conheci colegas e doutores, k foi assim k conheci a universidad por dentro, k entrei nakilo a k s xama a tradição e o espirito academico, mas por outro lado, podia perfeitament ter feito tudo isto s n houvesse praxe, com 1 custo mto menor para as minhas costas.. o melhor exemplo é xte: até entrar no superior andei em 3 escolas diferentes, em terras diferentes, e em todas conheci gente nova, tanto colegas como n, e n precisei d tar de quatro ou d andar com jogos psicologicos para criar amizades ou pra m integrar.. por ixo, tb m parece logico k no superior fosse capaz d fazer o mm..
Mas cm só em certos casos a tradição é k é boa, xega-s aki pra fazer a matricula e ja xtá um bando à porta para pintar e fazer 30 por uma linha.. e aki gostava d saber s alguem perguntou s eu keria ser pintado e ser praxado ou n.. Convenhamos k num ambient novo e desconhecido, em k s esta rodeado d gente k mais parece sedenta d sangue do k interessada em dar as boas vindas, a maioria das pessoas s sente intimidada e alinha logo nakilo, talvez por timidez, por parvoice ou por outro motivo kk.. Nem k dp s desista e s entre no lote d excluidos.. Mas dakela vez alinha-se.. E tal pergunta n s põe! E eu pergunto ond esta a escolha aki..
Vêm com a historia do "So vem kem ker".. E dp tb vem a historia do "mas kem n vem, n usa traje, n conhece ninguem, etc, etc, etc..". Ou seja, kase k s obriga a k s vá.. e ja k uma pessoa tem mm k ir sn é um zero à eskerda k ninguém sabe kem é, talvez até isolado numa terra k desconhece, aproveita-se e descarrega-s em cima da "besta", k n lhe basta tar longe dakilo k conhece, ou pelo menos a entrar num mundo novo, tb tem k saber k ali n pode abrir a boca e so manda kem ta acima.. e pra mim o problema tá aki..
O k acaba por acontecer é a praxe servir interesses, k são, obviament, os d kem praxa.. dd sempre k a praxe acaba por servir d escape para as frustrações d cada 1.. é a logica do "kem ker k mas faça, kem as paga é a minha mulher", ou neste caso, os caloiros.. E enkanto esta mentalidade n mudar, n mudam as praxes, os abusos n acabam, as consequencias negativas tb n, e pior, akilo k muitos tentam manter, o bom nome dos estudantes, vai acabar por andar sempre na lama..
Mas k fike claro, n sou contra a praxe, tenho orgulho em ter sido praxado e faço intenções d praxar.. mas n nos moldes em k s encontra xte sagrado ritual..
K s faça akilo k s faz na praxe, mas com limites.. e ja agora k s aproveite e s mostre o k é realment a tradição, a historia, desta cidade, pk desconfio k inda hj deve haver mto caloiro k n sabe onde é a Sé, quanto mais o k..
Desculpem o tamanho do post, o facto d tar a repetir o k ja s diss, os erros e as descobertas da polvora k fiz.. A xta hora e dp d vir do BA, uma pessoa ja n consegue xcrever grand coisa..

 
At 10 dezembro, 2004 12:21, Blogger AgoraEu said...

De novo.
Afinal, não estamos sós!
Ainda há quem pense as coisas e conclua que é possível fazer diferente, mais e melhor.
O espírito académico não começa nem se esgota nos "doutores" que, acintosamente, se babam de gozo enquanto emborcam umas cervejas assistindo ao "espectáculo" da dita "integração".
Vamos em frente.

 
At 10 dezembro, 2004 13:43, Anonymous Anónimo said...

Acima de tudo é bom ver que as pessoas ainda perdem algum do seu precioso tempo em discussões, argumentando validamente (...ou não!) o seu ponto de vista.

Já muitas vezes discuti pessoalmente com o autor deste post sobre este mesmo tema. Tal como ele fui praxada, nunca praxei. Porquê? porque apesar de, passado um par de anos, já conseguir tirar alguns pontos positivos daquele mês ainda estão muito presentes na memória os excessos da grande maioria dos "meus doutores/as".

 
At 10 dezembro, 2004 14:08, Anonymous Anónimo said...

...e após um breve momento de interrupção (cujos motivos foram alheios à minha vontade!!) volto à minha argumentação:
dizia que, passado um par de anos já consigo tirar alguns pontos positivos da praxe. Todavia, essas lembranças positivas resumem-se a meia dúzia de situações e a um número ainda menor de pessoas. Os meus doutores? fiquei vagamente ligada a muito poucos...
Se voltaria a permitir ser praxada? Penso que sim, no entanto, muitos limites levantaria e acima de tudo adoptaria um comportamento muito menos submisso.

Considero que o problema não está na praxe enquanto tal, mas sim nas pessoas. Na sua relação com o (pseudo) poder que um "simples" traje negro lhes dá. Traje esse que deveria significar, para quem o enverga, muito mais do que um free-pass para poder praxar (tenho impressão que há um esquecimento global de que o traje foi inclusivé criado com a ideia de suprir as desigualdades económicas e sociais, por vezes demasiados evidentes, de quem frequentava uma academia).
Acima de tudo, defendo que a praxe na sua ideia original de integração é claramente uma boa ideia, o problema está na falta de bom-senso da maioria das pessoas que a pratica, criando, de geração em geração, um sentimento de recalcamento e de abusos que por vezes originam situações como aquelas que todos vamos tendo conhecimento a cada início de um novo ano académico.
(CPM)

 
At 10 dezembro, 2004 18:38, Anonymous Anónimo said...

Acho que no post anterior só faltou ao autor/a referir uma coisa: se de facto a praxe é uma tradição académica, e penso que esta é a primeira conclusão séria que se pode retirar desta discussão, então o traje tem que passar a ser usado como parte dessa mesma tradição enão, como o autor muito bem referiu, como um "free-pass" para a praxe. Penso que os mesmos que tanto orgulho têm em usar o traje para praxar, também devm ter esse orgulho em usa-lo por qualquer outro motivo. Afinal, se se ouvem dizer coisas como "tenho muito orgulho em usar o traje" e depois só se usa em Setembro/Outubro, acaba por não fazer sentido falar em tradição académica.
A ideia de praxe como ritual de boas vindas deveria passar, por um lado, por tudo o que se faz na praxe actualmente, tal como disse num post anterior, mas dentro do razoavel, nem que para isso se tenha que regular correctamente a praxe (sim, porque convenhamos que o codigo da praxe so prova que ainda há muita mente retrogada na universidade e não ajuda em nada). Este regulamento poderia passar por estatutos da praxe, ou até mesmo um contrato de praxe, de modo a evitar abusos e dar possibilidade de defesa a quem é abusado. Isto era um modo de criar o espirito de grupo sem se estar a ofender quem quer que seja, e acredito que mesmo assim se podem fazer coisas interessantes como se fazem agora, a diferença é que passa a haver respeito mutuo. Por outro lado, também ja o disse no outro post, deveria a praxe passar por uma integração cultural com a cidade e a academia, pois acho uma vergonha haver caloiros que sabem perfeitamente o nome de todos os bares de Braga e qual o seu consumo minimo, e não saberem sequer o nome do presidente da camara de Braga.

 
At 14 dezembro, 2004 03:46, Blogger Gotiko said...

Antes de mais, um apelo: não deixem este tema morrer. É importante que se mantenha o debate, pode ser que nasça aqui alguma coisa de util.
Em relação ao tema, acho interesssante a teoria proposta por Filipe Medeiros, principalmente a ideia de um contrato de praxe. No entanto ponho duas questões: 1º- Quem vai validar esses contratos? Será quem vai praxar, ou temos que ter autoridades competentes para o efeito, em cada praxe? A praxe vai incluir a figura dum notário e de um advogado? 2º- Quem controla os ditos contratos? Quem praxa? Vai ser criado um organismo que vigie o respeito dos mesmos? E em caso de violação? Recorre-se para o tribunal por violações minimas? Ou é criado um organismo que vigie e puna essas violações?
A ideia é boa, mas, mesmo a médio prazo, não é funcional. Até porque vai acarretar outras duvidas. Tal como o autor diz, e muitíssimo bem, existe um mecanismo que permite suspender os efeitos dos DLG´s. A questão é, esta suspensão pode levar ou não a um abuso. Reparem, ao suspender DLG's, mesmo com um contrato que me dê algumas garantias, estou a suspender precisamente aquilo que me garante a minha liberdade. Acontece que ao concordar com essa suspensão, como assinei um contrato para esse efeito, vou permitir abusos sobre esses meus DLG's, certo? O que me leva a supor que, ou esse contrato diz explicitamente quais os DLG's que aceito suspender e ainda, dentro dessa suspensão, aquilo a que estou disposto sujeitar-me, ou então a situação piora, pois para além dos abusos que já existem se manterem, estes passam a ser legais pois assinei um contrato em como aceito suspender DLG's.`
Além disto, o próprio contrato pode ter outro problema. Aquilo que eu estou disposto a aceitar é diferente, certamente, daquilo que outros aceitariam. Há sempre um masoquista que adora a praxe e um pobre coitado que vai ao engano. Se esse contrato permitir a escolha daquilo a que cada um se sujeita, acabamos por ter dois problemas: 1º- A praxe passa a ser confusa. vamos ter gente de caneta e papel na mão a verificar se pode por fulano de quatro ou se cicrano não pode rebolar no chão. 2º- Se estes contratos variam de pessoa para pessoa, não pode haver um contrato unico, talvez um contrato tipo, que se altere conforme o caso, mas mais uma vez pergunto, quem o valida?
A ideia é de facto muito boa, mas peca por não ser prática. A minha sujestão? Podia começar-se por criar um organismo independente que controle e vigie a praxe e elaborar-se alguns estatutos básicos (e não outro Código de Praxe) que impeçam certos abusos, que esse mesmo organismo (o pessoal de 2º ano, já que não praxa pode perfeitamente servir para esta função) iria fazer valer junto de quem praxa. Talvez apartir destes estatutos se consiga fazer da praxe um ritual de integração mais civilizado.
E por enquanto seria o melhor a fazer, pois, como alguém aqui ja disse, enquanto esta mentalidade não mudar não se consegue resolver eficazmente este problema.

 

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