16 novembro 2006

Que ganância... II

"A banca deverá ter cobrado um valor próximo dos 1200 milhões de euros nos últimos dez anos, com a prática do arredondamento das taxas de juro do crédito à habitação a um oitavo e a um quarto de ponto percentual." - in DN on line.

Depois da reacção inicial da APB (ver aqui!), o decreto-lei será aprovado esta semana. Com interpretações para todos os gostos, os bancos jogam numa certeza insofismável. Os clientes que quiserem ser reembolsados daquilo que os bancos lhes cobraram e não deveriam ter cobrado terão de recorrer ao Tribunal.
É aqui que joga toda a perversidade do sistema judicial!

"É de prever que o grosso dos clientes bancários não se mobilize numa actuação judicial junto dos bancos e que estes, por seu lado, tudo façam para impedir uma resolução desta questão." - diz o DN.

Pois claro! O poder do dinheiro esmagará a pequenez daqueles que ousarem avançar porque o tempo se encarregará de "cansar" e levar a desistir os poucos que persistirem.
E mesmo que alguns, persistentes, teimem em levar até ao fim a sua exigência, no cômputo geral isso não afectará os "gordos" resultados que de forma quase insultuosa os bancos apresentam ano após ano.

Será que nenhum proto-especialista de marketing ou de relações públicas daqueles que se passeiam triunfantes nos corredores do dinheiro é capaz de explicar às Administrações que esta actuação é contrária a todas as mais elementares regras de mercado?

Que este comportamento além de abusivo é indigno em quaisquer circunstâncias?

Que numa economia de mercado não pode valer tudo?

Que um roubo, ainda que legal, não deixa de ser um roubo?

Bom senso, precisa-se!

JL