23 novembro 2006

Planos complicados

De quando em vez alguém se lembra que a malta não lê o suficiente. Ou então não se lê, pura e simplesmente. Saem umas sondagens, que dão origem a umas estatísticas, que por sua vez impõem que se tire conclusões - sempre preocupantes. Ninguém lê. E o pouco que se lê (dizem os próceres da cultura) são as "bestas céleres" do momento, sem grande valor, e coisa e tal...
Vai daí, cria-se uma comissãozinha que tem o encargo de elaborar um plano (ambicioso) de espalhar pela terra lusa inteira as maravilhas da leitura. Ler é bom, ler faz bem, portanto: leia-se.
Tenho sempre as maiores dúvidas quanto a estes planos. Não da sua bondade, entenda-se; no fundo é como o melhoral, pode não fazer bem, mas também não faz mal. Se do Plano Nacional da Leitura não advierem grandes índices de melhoramento também não será por isso que se vai deixar de ler. Mas não esqueçamos que isto de ler regularmente e comprar livros por sistema nunca foi coisa de muitos...
Mas mesmo que embarcassemos num optimismo desenfreado e acreditassemos que através deste Plano uma fatia considerável de pessoas começaria a ler muito e bem, e os que já o fazem elevariam a fasquia, passando a ler ainda mais e melhor, parece que ainda ninguém se lembrou de um pormenor: os preços dos livros. Se, actualmente, qualquer leitor e comprador regular tem de se deparar com preços proibitivos, o que o leva, mais tarde ou mais cedo, a ter de abdicar de comprar muitos do livros que gostaria de ler, como, pergunto, levar os que não lêem a comprar livros. Dou um exemplo muito claro: o último livro que comprei não teria mais de 130 páginas, e a despeito de ter capa dura custou a módica quantia de 15 euros (3 contos). E nem sequer era debruado a ouro. É muito difícil encontrar livros de 300, 400 páginas, sejam eles técnicos, romances, fotografia etc, sem passar a barreira do 18, 20 euros.
Claro que não estou a dizer que preços baixos poria toda a gente a ler. Evidente que não. Mas se quem gosta e compra livros tem de ser tão parcimonioso nas compras que faz, como convencer alguém que não afecta nenhum do seu rendimento para a leitura a fazê-lo?
NAP

2 Comments:

At 24 novembro, 2006 15:29, Anonymous Anónimo said...

Como em tudo na vida,é necessário procurar.
As feira do livro são óptimas oportunidades para se fazerem bons negócios e adquirir obras que cá fora são proibitivas.
É certo que os livros são caros,mas é áqui que entra o custo de oportunidade.ninguém se queixa dos custos proibitivos do tabaco ou de outras coisas acessórias.
Mas fica o aviso à navegação: a leitura não é nem pode ser considerada um luxo.

 
At 24 novembro, 2006 16:42, Anonymous Anónimo said...

Na actualidade considero que comprar um livro é um luxo.

Sempre gostei de ler, sempre tive o gosto de ir a uma livraria, desde a infancia e comprar um livro.

Actualmente não me posso dar a esse luxo, pois o dinheiro não chega.

Privo-me constantemente de ler obras que considero interessantes, pois existem outras prioridades (como alimentação e recursos para o meu curso) que me esgotam o orçamento pessoal.

A maioria dos livros que li, recentemente, foram-me emprestados. E a quantidade de livros que leio diminuiu drasticamente.

Querem que os portugueses cultivem o gosto pela leitura? Tornem isso possível, pois realmente se alguém que gosta de ler não os pode comprar devido ao seu preço, alguém que não gosta, ainda mais dificilmente irá comprar um livro, também pelo seu preço.

A cultura está muito cara... São os livros, são os espectáculos...

Até o futebol que sempre foi considerado o desporto do povo, neste momento deixou de o ser. Um fã desse desporto, para ver pela televisão, tem de pagar (e muito!), para ver ao vivo, ainda paga mais.

A vida não está para facilidades...

 

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