30 janeiro 2007

O regresso e a Obrigação

O meu regresso à blogosfera consumou-se. Já andava para escrever uma posta acerca da decisão da Rádio Renascença (RR) de defender publicamente - e na sua emissão - o NÃO no referendo acerca do aborto. Infelizmente os exames e a falta de tempo não me têm possibilitado fazê-lo.

Felizmente a Lei do nosso país facilitou-me a tarefa uma vez que obrigou, LOGICAMENTE, a emissora a ceder e a deixar uma hora por dia da sua católica emissão para tempo de antena de ambos os movimentos.

É, portanto com este acto de cruel regozijo, para com a situação em que a própria RR se meteu que me despeço até um próximo regresso, deixando - porque não poderia deixar de ser - a minha acha para a fogueira da discussão pública actual com vista ao referendo de dia 11.

Os argumentos PRO e CONTRA são já tão mediáticos como o José Mourinho e eu, humildemente reconheço que não consigo criar um original. Porém, para as mentes mais conservadoras e, especialmente para as mentes conservadoras que são também juristas, posso e devo publicitar a posição do Conselheiro Laborinho Lúcio, que pude apreciar com todo fervor académico, ontem em entrevista na 2 - hoje publicada no "Público" -. Defende o ilustre jurista para fundamentar a sua posição favorável à questão posta a referendo, que, à parte dos mediáticos argumentos, jaz um argumento favorável de natureza jurídica que, certamente vingará. Isto porque até a Igreja católica - apostólica defensora do não - lhe dá razão, a diferença é que nem sabe que o está a fazer!

Temos visto representantes da Igreja Católica dizer que defendem o NÃO mas que também são tão "santinhos" que não querem ver as mulheres presas, ou julgadas por o fazerem, numa atitude de hipocrisia sagrada, um instituto já milenar. O Conselheiro Laborinho Lúcio vem então explicar-nos que a razão do seu voto no sim reside no facto de considerar, tal como 90% da população, incluindo, como já disse, a Igreja Católica, que a matéria relativa à interrupção voluntária da gravidez não pode ser matéria penal, isto é, num plano restrito, o Código Penal, não lhe deve dar relevância, trocando por miúdos, não deve constituir um CRIME. São matérias situadas no plano da moral e da ética e permitam-me recordar que o Código Penal, não tem nenhuma secção dedicada a crimes contra a moral...Apenas isto, que no fundo toda a gente sã concorda e defende com aquele ar solidário e fraterno na televisão, basta para retirar para bem longe a ponta da caneta do não.

BSA